O que é a dengue
A dengue é uma infecção viral transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. Existem quatro sorotipos diferentes do vírus, o que explica por que uma pessoa pode ter dengue mais de uma vez ao longo da vida. A infecção por um sorotipo garante imunidade duradoura apenas contra aquele tipo específico.
Esse detalhe tem uma consequência prática importante. A segunda infecção, por um sorotipo diferente do primeiro, tende a apresentar risco maior de evolução grave. Por isso o histórico de dengue anterior é sempre perguntado na consulta e muda o nível de vigilância sobre o quadro atual.
As três fases da doença
A dengue não é um quadro linear que melhora aos poucos. Ela tem fases com comportamentos distintos, e reconhecê-las evita tanto o pânico quanto a falsa sensação de segurança.
- Fase febril, do primeiro ao terceiro dia. Febre alta de início súbito, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dor muscular e articular, náuseas e manchas na pele. É a fase mais desconfortável, porém raramente a mais grave.
- Fase crítica, do terceiro ao sétimo dia. A febre cede e o paciente costuma acreditar que está curado. É exatamente nesse intervalo que surgem os sinais de alarme, quando ocorre extravasamento de plasma dos vasos para os tecidos.
- Fase de recuperação, após o sétimo dia. O organismo reabsorve o líquido extravasado. Pode surgir uma coceira intensa na pele e um cansaço que se arrasta por semanas, ambos esperados e sem gravidade.
Essa é a razão de o acompanhamento não terminar quando a febre acaba. A queda da febre é o momento de aumentar a atenção, não de relaxar.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa pela avaliação clínica e pelo contexto epidemiológico, ou seja, se há circulação do vírus na cidade naquele período. Os exames laboratoriais confirmam e ajudam a classificar o risco.
Nos primeiros cinco dias de sintomas, o exame de escolha é a pesquisa do antígeno NS1 ou a detecção do material genético do vírus por PCR. Depois do quinto dia, a sorologia para anticorpos IgM passa a ser útil. O hemograma completo, com contagem de plaquetas e hematócrito, é repetido ao longo do acompanhamento porque o que interessa é a tendência dos valores, não um resultado isolado.
A queda de plaquetas assusta, mas isoladamente não define gravidade. Um paciente com plaquetas em queda e sem sinais de alarme pode ser acompanhado em casa, enquanto outro com plaquetas normais e dor abdominal intensa precisa de avaliação imediata.
Tratamento e hidratação
Não existe medicação antiviral específica para a dengue. O tratamento se apoia em hidratação adequada, controle da febre e da dor, repouso e vigilância ativa dos sinais de alarme.
A hidratação é calculada por peso e não por sensação de sede, porque na dengue a sede costuma estar reduzida justamente quando a necessidade de líquido aumenta. O volume prescrito na consulta é para ser cumprido ao longo do dia, com registro do que foi ingerido.
Dois pontos de atenção sobre medicação. Anti-inflamatórios como ibuprofeno, diclofenaco e o ácido acetilsalicílico devem ser evitados porque aumentam o risco de sangramento. A dipirona e o paracetamol, nas doses orientadas, são as opções seguras. Nenhuma medicação injetável por via intramuscular deve ser usada sem indicação médica pelo mesmo motivo.
Quem tem risco aumentado
Alguns grupos merecem acompanhamento mais próximo desde o primeiro dia, mesmo com quadro aparentemente leve.
- Gestantes, em qualquer trimestre
- Pessoas acima de 65 anos e crianças abaixo de dois anos
- Portadores de hipertensão, diabetes, doença renal, asma ou doença cardíaca
- Pessoas em uso de anticoagulante ou antiagregante plaquetário
- Quem já teve dengue antes, pelo risco maior na segunda infecção
Dengue, zika ou chikungunya
As três arboviroses circulam juntas e são transmitidas pelo mesmo mosquito, o que gera confusão frequente. A distinção clínica ajuda a orientar o cuidado enquanto os exames não voltam.
A dengue predomina com febre alta, dor atrás dos olhos e dor muscular. A chikungunya se destaca pela dor articular intensa e simétrica, que pode persistir por meses. A zika costuma cursar com febre baixa ou ausente, manchas com coceira e olhos vermelhos, com risco específico na gestação pelo comprometimento neurológico do feto.
Na prática, o manejo inicial de segurança é o mesmo, com hidratação e vigilância. A confirmação laboratorial importa para o prognóstico e para a notificação, que é obrigatória nos três casos.
Prevenção que funciona
O controle do mosquito continua sendo a medida mais eficaz. O Aedes aegypti se reproduz em água limpa e parada, em recipientes pequenos e próximos das residências, como pratos de vasos, calhas, garrafas, pneus e caixas d água mal tampadas. A vistoria semanal desses pontos vale mais do que qualquer medida isolada.
Repelentes registrados na Anvisa, telas em janelas e roupas que cobrem braços e pernas reduzem a exposição em períodos de surto. Existem vacinas contra a dengue disponíveis no Brasil, com indicações e faixas etárias específicas, e a decisão sobre a vacinação deve considerar o histórico de infecção prévia e o cenário de circulação local.
Sinais de alarme: procure atendimento imediato
- Dor abdominal intensa e contínua
- Vômitos persistentes, que impedem a hidratação
- Sangramento de gengiva, nariz, urina ou nas fezes
- Tontura ao levantar, desmaio ou pressão baixa
- Sonolência, irritabilidade ou confusão mental
- Redução importante do volume de urina
- Falta de ar ou aumento do volume abdominal
Qualquer um desses sinais, mesmo isolado e mesmo com a febre já resolvida, indica avaliação no mesmo momento. Não espere o dia seguinte.
Perguntas frequentes
Quantos dias dura a dengue?
A fase aguda dura em média de sete a dez dias. O cansaço e a indisposição, porém, podem persistir por duas a quatro semanas após o fim da febre, o que é esperado e não indica complicação.
Plaquetas baixas significam dengue grave?
Não necessariamente. A contagem de plaquetas ajuda no acompanhamento, mas a gravidade é definida pelos sinais de alarme e pelo estado clínico. O que importa é a tendência dos exames somada à avaliação médica, não um número isolado.
Posso tomar ibuprofeno ou aspirina na dengue?
Não. Anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico aumentam o risco de sangramento e devem ser evitados. Paracetamol e dipirona, nas doses orientadas, são as opções seguras.
Já tive dengue, posso ter de novo?
Sim. Existem quatro sorotipos do vírus e a imunidade é específica para cada um. A segunda infecção, por sorotipo diferente, apresenta risco maior de evolução grave e exige vigilância mais próxima.
Quando a dengue precisa de internação?
Quando há sinais de alarme, incapacidade de manter hidratação por via oral, sangramento importante ou sinais de instabilidade circulatória. Em pacientes de grupos de risco, a internação pode ser indicada de forma preventiva.
Quando marcar uma consulta
A avaliação com infectologista faz diferença quando o quadro sai do previsto, quando existe condição de risco associada ou quando o tratamento já iniciado não trouxe resposta. Na consulta, o tempo é suficiente para reconstruir a história completa, revisar exames anteriores e explicar cada conduta até fazer sentido para você.
O atendimento acontece em Uberlândia, por convênio ou particular. Você pode verificar os convênios atendidos ou descrever seu caso no formulário, com resposta em até 24 horas.